Revista Literária

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Reencontro


Eu a desejo como sempre,
Valoro-te como nunca,
Amar-te como me amas,
Mais nobre não há

Vislumbro um abraço
Que melhor será se for apertado
Acompanhando de um beijão,
Daqueles que inveja qualquer cidadão

Acordei, enfim, e reli meu passado,
Por pouco deixei quem mais me ama na solidão,
Querer poeta é difícil, para quem vê de longe deve doer no coração,
Mas que mulher tão única, nem se preocupa com esse mito,
E se verdade? Que seja.
O lirismo do teu homem?
Sejas tu a musa de tanta inspiração


Fostes amor católico,
Fostes amor nômade,
Fostes amor satã,
Igreja quando te conheci,
Longe quando te perdi,
Diabólico quando éramos loucos por paixão

Mais uma vez nos encontramos
E agora o que nos ditará?
O que farão com nosso coração?

domingo, 24 de janeiro de 2010

Padre,eu tenho.

I-Fim do noivado e começo do ano e meio

Haviam marcado o casamento para daqui a um ano e meio. Na verdade, Maria tinha agendado o casamento para esta data. Pedro, apenas, aceitara. Afinal, já eram três anos de noivado e a pressão de ambas as famílias chegou a um ponto insuportável para o rapaz.

O caso não era falta de amor, Pedro amava muito sua noiva.
O problema era medo de casar. Do dia do sim em diante, o modo solteiro seria desligado e o modo casado, o modo filhos, o modo barriga, o modo monotonia seria ligado para sempre.

O que fez Pedro, então? Aproveitou o ano e meio que lhe restava. Era impressionante como quase sempre passaram haver reuniões no trabalho até tarde. Às vezes até nos sábados pela noite, era preciso estar na empresa para fazer os tão famosos relatórios para o chefe. Houve uma vez que o jovem trabalhou tanto que dormiu no escritório por uma semana.

Os pais do rapaz, não sabiam onde enfiar a cara, e os pais de Maria estavam revoltados, o marido de sua filha era adúltero. Ela dizia que acreditava no noivo, amava-o e era recíproco, segundo a própria, era bom ficar sozinha em casa, lia revistas, aprendia novas receitas, via programas de maternidade. Estava aprendendo a ser uma dona de casa de mão cheia, “verdade, é o seu sonho”, contentava-se a mãe da jovem.

No trabalho, Pedro se gabava. Apostava com os colegas, para ver quem tinha melhor forma com as mulheres em uma noite. Os amigos perdiam mais no final da noite sempre tinha como consolo que continuariam solteiros. O rapaz, dizia que seria igual. Maria era ótima mulher e entendia que o marido tinha necessidades masculinas e duvidava existir uma mulher tão compreensiva como a sua.

II- O dia

A igreja estava lotada. Maria estava atrasada. Pedro nervoso. Os padrinhos do noivo riam do mais novo jogador do time dos casados. Enquanto que as madrinhas da noiva achavam um absurdo aquele casamento,diziam que metade das convidadas já tinha rondado na cama do noivo.

Maria finalmente chegou, notava-se seu nervosismo, mas estava linda, era uma mulher belíssima, sempre foi a mais desejada da escola, da faculdade, em quase todos ambientes que ia era a mais cobiçada, mas todos sabiam que nunca fora namoradeira e o seu maior sonho estava se realizando.

O padre abriu um sorriso, e começou a cerimônia, os choros ecoavam e os risos sussurravam. O que o clérigo não esperara é que nem chegaria a perguntar se a noiva aceitaria o noivo e vice-versa.

O senhor de um cinqüenta e poucos anos e de quarenta cedidos à igreja, veria uma cena jamais sonhada. Quando perguntou se alguém tinha algo em contrário ao casamento, levantou-se uma mulher desconhecida de todos ou quase todos da igreja.

Sem exceções os olhos só passaram a ter um foco. Os padrinhos não entendiam nada, pois jamais havia visto aquela mulher, as madrinhas espantadas pela coragem de uma das "amantes" do noivo estar fazendo aquele papelão, os pais de Pedro nem mais vermelhos estavam, e sim roxos, os pais de Maria se encontravam em fúria e a noiva tinha sua cabeça abaixada e com os olhos caindo pequenas lágrimas.

A moça começa a caminhar, só para quando chega em frente ao altar e diz:

-Padre, Eu tenho. Esta mulher é o amor da minha vida.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Distância Boêmia

Há uns quilômetros,
Não seria tão distante,
Proibir-te-ia de me chamar amigo
E só aceitaria amor

Em cada flor recolhida,
Uma nostalgia,
De dois suspiros,
Três são pra te ver sorrindo,

Sei que o lirismo não é autoral,
Mas eu e eu escrevemos
Em nome de uma só vida

Dizem que os poetas perdem por boêmio,
Mal sabem eles que no bar,
Está a morena mais linda (que algum dia sonhei encontrar)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O poeta e a bailarina


- Dai-me ritmo - disse o homem.
- Pois, presenteei-me com tuas letras. - contestou a mulher

Por uns minutos se entre olharam com um ar de desconfiança e, de repente, caíram na gargalhada. O rapaz, em meio a risos, perguntou:

- Por que está rindo?
- Ora, pelo mesmo motivo que você.
- Não sei por quê.
- Porque deu vontade, não seria por isso que as pessoas fazem as coisas?
- Não acho que alguém limpe o banheiro porque quer.
- Não se contenta nem em rir em paz, já tem de vir com suas idéias comunistas e colocar algum pobre faxineiro no meio.
- Nunca limpou nenhum banheiro?
- Já, mas é claro!- a mulher respondeu em tom um pouco ríspido.
- Então você é faxineira? Prazer. Sou poeta.

E como se tivesse ouvido a melhor piada do mundo, os dois voltam a rir:

- Certo certo... Admito que ri porque pensei no senhor vestido de collant e dançando ballet clássico.
- Eu, “senhor”? - sem achar muita graça, o rapaz faz a pergunta.
- É (...). Não quero te dar tanta intimidade hoje, sempre me convence a algo que não quero.
- Vejo que a “senhora” não gostou do último convencimento. Estranho-me, não parecia.

Para quem olhassem os dois naquele momento, não diria mais que estavam conversando harmoniosamente, já que este momento de silêncio se uniu a dois ou três goles d’água e olhares fulminantes de ambas as partes. Um pouco incomodada com o silêncio, a moça o quebra com uma pergunta:

- E por que também riu?
- Imaginei-te escrevendo uma poesia.
- Crê que não consigo?
- Pensa que não posso dançar? – respondeu o poeta, ironicamente, com mais uma pergunta.
- Não sei. - um pouco confusa, a bailarina o respondeu.
- Nem eu. – o poeta termina com o mesmo ar de confuso que ele tinha no último diálogo.

Agora, apesar dos questionamentos mal respondidos, os dois tinham aparência mais suave em comparação à última pausa. Na verdade, o silêncio de agora não foi nem para rir, nem para tomar água. Foi pra refletir. Após aqueles minutos de pensamentos, o poeta abriu um pequeno sorriso e olhou-a:

- Digo-lhe algo bailarina: você me completa.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Esperando meu sol

Meus sonhos são como neve,
acordam no inverno sem medo de chegar,
despedem-se na próxima sem sequer.
Informe-me tua partida.

Hei de documentar cada sol dormido,
Esperando por fim o meu.
Sento em minha cadeira de balanço
e recordo(...)As vezes as flores exalam.

Não me venha com compaixões
Rosa.
Deita teu perfume
com tuas abelhas.

Duvido que venha dormindo,
pois em meu acostar,
sorrio.
Lá ainda estas ao meu lado

sábado, 12 de dezembro de 2009

E agora, Alberto?

Tinha acordado meio tarde naquela segunda nublada, tinha meus motivos cujo Seu Alberto,meu chefe, não ia se interessar muito por saber,entretanto o contaria com maior prazer,aliás que prazer,nunca foi tão bom cobrir uma exposição de arte em pleno domingo,os leitores que são fãs das artes plásticas que me perdoem,eu até gosto de Dali,Picasso,Van Gogh, Monet,mas me limito a basicamente isto.

Este digníssimo chefe que tenho, cisma em me colocar para cobrir exposições à noite, e no dia seguinte já ter minha crítica e presença, ambas meia-boca, às 07h00min; Antes que alguém tão caridoso, como meu patrão, pense que ele poderia escolher o sábado para eu trabalhar, este bondoso senhor sempre diz “Você tem sorte José, coloco gente para cobrir desfile de moda aos sábados e te libero para tomar uma cervejinha”. O problema que sou solteiro e tímido, ou seja, fico em casa vendo filme e “tomando uma cervejinha”,e o grande Betinho tem pleno conhecimento disso,pois sempre me pergunta com ar de sarcasmo,quando arranjarei uma namorada para curar meu mal - humor.

Já me prolonguei demais nas qualidades deste grande homem, e como estava dizendo desta vez, tinha me dado bem. Pus meu blazer de sempre, camisa de sempre, tênis de sempre, cabelo de sempre e como todo bom homem não poderia de ser nada diferente da calça de sempre. Tenho medo de que qualquer dia um segurança dessas galerias não me deixem sair, por pensar que eu seja uma escultura modernista.

Estava repleta de senhoras e senhores pseudo-intelectuais, aliás, este fato vale a pena ser tratado, depois de certa “experiência” neste tipo de local, acabas percebendo que 99% que estão ali, não entendem nada e agem de acordo com aqueles que parecem entender um pouco mais que os outros, mas na verdade sabem tanto como qualquer um, só que querem parecer os mais etendidos; os outros 1% ou querem ir embora logo ou estão trabalhando (no meu caso, ambas as coisas) ou quatro ou cinco, que realmente entendem.

Comecei caminhar, fazer uma que outra anotação superficial, comer e beber - afinal o melhor das galerias são os Buffet’s- porém neste dia um quadro realmente chamou minha atenção, óbvio, não me atreverei a descrevê-lo, por considerações ao artista, fiquei ali um bom tempo até que ouvi uma voz feminina, virei-me - queria não escrever que deixei meu bloco de anotações bater no copo que a mulher segurava, mas acabei achando importante o fato de ter molhado de champagne o tapete e o vestido preto daquela moça- que viria a descobrir que era quem assinava o quadro e somente tinha me perguntando se eu tinha gostado,lógico que tinha adorado,mais ainda da criadora,entretanto como sempre,achei que tinha estragado tudo,mas a moça não se irritou,pelo contrário achou engraçado as mil vezes que pedi desculpa e maneira que fiquei nervoso.

Ela era linda mas o que mais me chamou a atenção foi seu modo de tratar as palavras e o sorriso fácil,além de outras características que acabaram deixando a beleza física como apenas um detalhe.

Sentado em frente ao seu quadro, conversamos algum tempo, que não sei bem quanto, ela desistiu de me perguntar o que achei da obra para evitar maiores danos e eu desisti de pedir desculpas, a simpática morena de cabelo liso e tamanho não tão avantajado, também era muito inteligente e me fez uma série de perguntas, e eu as respondia fazendo outros questionamentos. Até que notamos o fim da festa, os convidados estavam se retirando.

Saímos da galeria e a tão incrível artista, sem me deixar pensar em pedir número de telefone, MSN ou se quer dar dois beijinhos, perguntou-me:

-José, vamos dividir o taxi, afinal nestes tempos de “Lei Seca” não saio de carro, qualquer golinho de nada, já é cana.

Eu fiquei atônito, apenas segui a maré e deixei tudo na mão da moça que me puxo para dentro de um taxi. Olhei ao relógio e disse que já eram bem tarde e no exato momento que terminei minha frase, começou a chover, todos concordaram com minha conclusão, inclusive o taxista. Não era só uma conclusão, mas sim uma preocupação, notando ou não minha expressão de nervosismo a moça disse:

-Acho que se você for para sua casa, vai dormir muito pouco, eu moro bem perto do Centro, pode dormir em minha casa e amanhã ir caminhando até a redação.

Não sei em que parte da conversa disse onde eu trabalhava, mas nunca me senti tão bom jornalista- "aquele que passa a informação verdadeiras" -como naquele momento, sem pensar duas vezes, aceitei o convite.

Chovia cada vez mais, descemos perto da entrado do prédio, já que a rua estava meio alagada. O caminho percorrido foi o suficiente para marcar toda a roupa íntima de minha companheira de elevador, agora em silêncio, e eu a respondia em mesmo tom.

Ao chegar ao pequeno apartamento, a moça muito mais molhada que eu, foi correndo tomar banho e me disse para ficar a vontade, obviamente, havia muitos quadros de sua autoria ou não pela sala, além de telas em branco e galões de tinta espalhadas além chão todo colorido como se fosse um quadro moderno de péssima qualidade. Tirei o Blazer, peguei um pouco de whisky-ela me disse para ficar a vontade - coloquei gelo no copo sentei-me no sofá,acendi um cigarro e fechei os olhos ouvindo o barulho do chuveiro. Pensei: “E agora,José?”

Dormi, mas não tive dificuldade nenhuma para acordar, minutos depois com a voz daquele anjo em roupas de dormir, que me dizia para deitar em seu quarto, alegando que o sofá faria mal a minha coluna, depois dessa, qualquer “joão” do mundo sabia o que fazer e fiz.

Voltando ao começo, já que minhas particularidades sexuais não interessam ao leitor, comecei a arrumar-me com pressa, por as coisas em minha mochila, ir busca das minhas roupas perdidas no quarto, até que parei. Contemplei-a deitada, nua, em sua cama por algum tempo, até eu fazer um pequeno barulho com o tênis que a despertou, como uma flor que desabrocha na primavera e olhando para mim,sorrindo,disse:

-Zé, liga para mim no sábado, vamos ver se pegamos um cineminha e tomamos um chopp.