Revista Literária

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Segunda- Feira

Excomungando pelos BOPE,
Bendito seja a bandeira da pobreza de opinião
A base de Guaratiba, os soldados de Hitler eram de Buenos Aires  
A ditadura da paz e do amor desde 1966

A manifestação sacra do esquecimento

Pedro Alvares S. Cabral
Que descobriu a mentira
A vergonha
Que nunca me disse que Cristo era árabe
Eu sou apostólico romano e de Deus.
Inocente feito um índio
Ignorante quanto alguém que diz o índio

Amém, Papa
O senhor esteja convosco, ele está no meio de nós.

Sou contra a Copa
Sou contra a Olimpíada
Devolvam o Brasil,
Mas tragam de volta para a festa
Jovem Michael Jackson
Tão branco e bom como O., Juan Carlos

Esquecimento das Cruzadas que tivemos,
Dos escravos,
Das bruxas,
Dos beats papas
Das freiras de Almodóvar

religião de aluguel

A contrarreforma:
Feira de indulgências em plena Copacabana
Nossa senhora, de Copacabana?

Alguém me explica o que aconteceu esse final de semana?
Bebi vinho, tomei uma pastilha gigante e sonhei com o corpo de Sputnik

Ressaca e de Chico!



foto: Papa Alexandre VI

domingo, 30 de junho de 2013

Mentira,Canarinho

Minto. Minha alma nasceu descrente
Acredito que não dizer o que é me faz.

Penso que tudo está no marco do literal
Cumpro com meu dever cívico de te amar
Mas na verdade, eu não amo.

Saio com a esperança de não voltar
Tenho um bom dia
E tenho que ter todos os dias.

O sangue, a dor, a verdade
Tudo é escondido
Fiz cirurgia plástica ontem.

Chamei a polícia para dançar
Eu estava de branco, eles de preto
Mas na verdade, queríamos cores

Sentei-me na faixa de pedestres
Os carros pararam
Era tudo mentira

Ficamos felizes
Vencemos o Brasil
Era tudo mentira

Ficamos felizes
O Brasil venceu
Muitos gols
Era tudo mentira

Índio
Maré
Maracanã

É verdade, mas tenho que mentir.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Capital

    
  
Desde as primeiras horas da tarde, estava escuro. Somente podia enxergar os olhares próximos. Pareciam faróis atordoados. Avançavam, corriam e arregalavam cada vez mais dentro do obscuro.
Ninguém notava nada. Não haviam deboches, assobios e sorrisos. Meu decote era despercebido enquanto pisavam em minha sapatilha negra, sem pedir desculpas à minha possível dor.
Ofuscada. Conseguia sentir o cheiro da minha respiração ofegante. Estava perdida dentro do cotidiano horripilante dos meus.
Parei. Não, segui sem rumo. Fui levada pela multidão de vultos de expiração humana. Meus pés flutuavam em agonia. Tentei agarrar as mangas das camisas, mas todos estavam nus. Sentia pelos, peitos, braços e barriga. Nunca fui tão violada. Encolhi(...) Mentira.
Os sopros que me faziam flutuar me derrubaram. Todos os corpos escuros subiram  sobre mim e eu já não tinha decote, nem sapatilha
Sorri. Estava de pé mais uma vez. Passavam sobre o meu corpo, e eu já estava relaxada. Não sentia onde estava.
Os toques eram recíprocos, os suspiros permanentes. A dor do prazer ecoava.
O sexo é a concretização do eterno em alguns incríveis minutos.
Estava cada vez mais quente, o fluxo cada vez maior e o barulho mais ensurdecedor.
As horas corriam, minhas mãos eram entrelaçadas, meus peitos molhados, minhas pernas devoradas, minha barriga mordida e minhas costas arranhadas.
Perdi a noção de mim. Não aguentava mais. Fechei os olhos e estava quase pronta.
Ia explodir em prazer.
Mordi meus lábios com força, e uma voz de mulher veio surrando em meu ouvido:
- Bem vinda. Segunda-feira. 17 horas, 47 minutos e 39 segundos. Dia 20 de maio de 2013. Centro. Rio de Janeiro. A Capital da loucura.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Cama



Fique em pé,
Enquanto ser noite é dia.

Estou cansada.

O que te cansa para deitar?

Meu lençol de vento,
O chão de palha,
Não sinto frio, nem posso pisar.
Os isentos sobem pela minha perna
Não aguento.
Estou rouca.
Quero gritar! Preciso deitar(...)

Não.

Por favor,
Estou sentada,
Minhas costas vão à parede
(que cairá amanhã)
Estou desfalecendo na cal velha cheia de infiltrações

Abro bem os olhos,
O chão está cheio de formigas famintas,
O resto de mim é doce,
O outro podre.
(os urubus vão comer amanhã).
Sinto minha coluna estalar
Quero chamar alguém! Preciso deitar.
Deitar
Deitar (hoje)

Sim.
Minha cama é feita de terra
Minha cara está cheia de barro
Meu corpo sujo
Meu pé roça lama com a palha que sobe do colchão de poeira
Rolo na cama, e pareço um nada, no meio do meu quarto senzala.

Ouço um riso diácido
Uma voz pernambucana recita o poema
(Repete)
“Deite, se quer. Feche os olhos, mulher
Vamos sonhar para o diabo não pegar”




sexta-feira, 8 de março de 2013

Protejam a Poesia


É foda, sabe? Eu queria ir, pegar seu braço e dizer que nunca esqueci daquele primeiro sorriso. Tenho medo, porra. Todo mundo tem. A gente é científico demais,  esquecemos que somos humanos, deveríamos fazer coisas humanas, como amar. Verbo, que em minha opinião, deveria ser o único de ação para todas as pessoas, sejam singulares, ou plurais.
            Os homens choram, padecem, bebem, caem e ficam no chão, rindo da desgraça de si mesmo.  Eu mesmo sei que a noite é jovem para nós, amanhã ainda estarei triste pelo amor passado,  por todas as dores que já estiveram, e talvez jamais morra em mim todas as jovens putas da tarde, que me fizeram adoecer em tristeza. Porém, há melhor conforto que encontrar uma outra mulher?
             Tenho vontade de saber por que, onde e como algum louco teve a intenção de fazer sofrer o ser mais lindo que sob a Terra já floresceu? Como puderam arrancar todas as suas folhas? Nem tiveram o trabalho de cozinhar, deixaram-te seca até nunca mais.
            Secos, deveriam ficar os apodrecidos machos vorazes, que jamais ousaram viver de paixão, mas que deixaram as doces fêmeas em leitos domiciliares ao som de Caetano, e nos piores casos, uns pagodes românticos bem tristes, que afundam, ainda mais, a culpa dos homens tórridos de egoísmo.
            Tão lindas, tão frágeis, tão cheirosas, que tanta pouca vergonha, ter tanta proibição de tanta coisa sem sentido, e não lembrarem disso. Mulher deveria ser proibida de sofrer! Se deixarem, sou capaz de ser vereador, deputado, senador! Só para criar, votar e botar em prática esta lei contra tal perversidade. Cada lágrima de paixão que cair em bochechas apaixonadas será multada! O valor da multa será agregado ao valor do ingresso do novo Maracanã!
            Há aqueles céticos, que vão argumentar contra as mulheres insensíveis! Pobres coitadas, são assim porque já não acreditam em amar, graças a tanto sofrer.
Deus há de perdoar minhas amigas prostitutas. Quem já presenciou a dor de uma puta abandonada?  Olhe, não há profissão mais nobre que a putisse. Aturam ouvir que outras são putas, lembram o quanto já sofreram, são eternas viúvas de sua profissão, mas precisam ganhar para ouvir e curar o sofrimento do efêmero masculino. Cheias de sentimento, no fim, são putas.
            Mulher, nunca tive maior recompensa, que um sorriso sincero, depois de um ponto final. Quantos versos merecem o cheiro do balançar daqueles cabelos negros, quantas rimas ricas brotaram de teus seios queimados pelos verões, quantas catarses criei em seus orgasmos?
            Esqueça aqueles que estão pagando fiança para entrar na Copa do Mundo. Fuja dos jornais e das revistais iguais, dos padrões de segurança da FIFA, lembre-se que o seu momento de ser arte pode ser encontrado em algum parágrafo de um livro, que você ainda não leu.
Leia.
            O poeta precisa da mulher, a mulher é ser poesia.