Revista Literária

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sexta-feira, 2 de março de 2012

Reminiscência

O homem mais lindo do mundo, mais sensível, mais inteligente, aquele que superou minhas próprias expectativas afundou-se. Sem nem ser capaz de me chamar para o náufrago. Deixou-me afogar no meu rio de lágrimas chamado adeus.

Por que você não volta? A comida está na mesa, eu deitada na cama pronta para te dar na boca. Deixo ali somente a salada, porque tenho medo que o resto apodreça junto com minha solidão. Os talhares modelam-se a minha mão, pois têm pena da minha necessidade de comer. Parece que esperar o retorno daquele que talvez nunca esteve estará eternamente em meus sonhos.

A lembrança vive em meio ao cemitério de novidades iguais. As notícias não me chocam. Congelam-me sobre a cama, coberta pelo lençol desprezo. Penso. Resta-me somente divagar sobre o que você acharia de tudo isso, Uma porcaria, o amor é um chiqueiro. Sou uma porca, e você? Provavelmente o Fazendeiro.

O tempo não mudou nada com relação ao presente. Se fosse tudo igual, meu amado, eu o viveria mais cem vezes. Como eu queria te ligar e dizer que ainda te amo, mas não posso, não é possível, não pode ser. Digam-lhe que sofro muito, que já pensei em homicídio e até suicídio, no entanto não se esqueçam de dizer também que eu ainda o amo,venero, idolatro, que sou apaixonada. Peço- lhes, finalmente, que não ousem jamais me contar que ele não quer saber. Prefiro a realidade morta, a uma lembrança viva.

O mundo não se cansa de falar, porém não me diz nada. Quando encontro a palavra, ela simplesmente foge do dicionário. Descubro o meu verbete, mudam a ortografia. Volta, hífen! Acho que é pedir demais para ele nossa aglutinação

domingo, 14 de agosto de 2011

Vidas


A solidão
Preenche meu corpo
Com ou sem cor
Dor

So-
Li-
Dão

Dor

Cor-
Po

Eram espaços
Que hoje são só,
Desenhos,frases,nomes.
Eu.

Linhas solitárias
Espalhados e sozinhos
Braço,perna,peito,mão
Minhas.

Somos dor
Solidão
Todos juntos em meu corpo
Tatuagem

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Depois do Outono


Estou coberta até o nariz, minhas pernas me pedem que busque mais uma calça,mas não sei onde você jogou. Fico lembrando como teus punhos ardiam nesta cama. Quem sabe perca a vontade de procurar. Amava-me demais, meu amor

Não consigo pensar em outra coisa. O castigo de amar. Não sei porque caço. Vejo que encontro,mas não controlo esta minha maldita paixão. Interminável.Crueldade. Acho que entendo porque estou deitada. Sinto-me nua. Lendo tuas poesias, estou vestida somente pelas vírgulas.

A neve frita os meus pensamentos. Deixo que o tempo passe lentamente na janela, quem sabe cure o próprio mal de existir. Nunca duvidei do poder das horas, elas estão melhores acompanhadas que eu. Minutos e segundos. Ponteiros caiam! Eu olho para eles,enquanto não me vêem. Relógio presenteado por ti, os indicadores de tempo estão apontando tua direção.

Esperando o inverno passar,meu bem? Venha logo! Não pense,não escreva, pare de chorar, guarde tuas flores. Apenas aja! Pois quando o tempo esquentar, posso levantar, parar de ouvir esse maldito tique-taque, e ver que tudo era como antes.