Revista Literária

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A Bela e a Fera



Posso te ver e escutar, oferecer o que for, mesmo que queira não há como te dar (pareço muito educado), medimos as mãos, e até jogamos baralho. Vamos assim há mais de um ano. Geralmente é difícil, mas com a mesma freqüência acho que não agüentaria ficar muito perto de você.

Uma barreira nos separa. Ando até o fim para ver se há uma porta, mas não há nem começo. Resolvo sentar e desabafar, ontem foi meu 25º assassinato, você pobre cristã acredita, e se comove por eu não me agüentar, não sei o que acharia se te contasse que já perdi as contas da quantidade de sangue que já vi. Morro de medo que você vá embora.

Tenho lá minhas dúvidas se existe natureza humana, porém não há muito o que se questionar sobre a minha,evidente que possuo. Sanguinária, vingativa, racional, sem medo. O pior tipo de pesadelo que alguém pode pensar em ter. Sou biologicamente a destruição.

Respondo o que quiser afinal você é a única que me aceita como quase o que sou. Nada mais humano que te responder quase toda a verdade. Nada mais humano que fazer com que você se apaixone por mim, que me queira que me deseje. Nada mais animal que sentir o mesmo.

Quando sonho estamos juntos, você de branco e eu de preto, você sorrindo e eu sedento. Fazemos amor. Acordo. Corro para te ver, e lá está o seu sorriso eternamente sorriso. Quero abrir uma porta, usar minha força, gritar, lutar, matar, quebrar esse espelho sem reflexo que me separa de você.

domingo, 14 de agosto de 2011

Vidas


A solidão
Preenche meu corpo
Com ou sem cor
Dor

So-
Li-
Dão

Dor

Cor-
Po

Eram espaços
Que hoje são só,
Desenhos,frases,nomes.
Eu.

Linhas solitárias
Espalhados e sozinhos
Braço,perna,peito,mão
Minhas.

Somos dor
Solidão
Todos juntos em meu corpo
Tatuagem

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Carolina quis saber por que tantas Carolinas

-Não sei, são apenas Carolinas.
-Nenhuma sou eu?
-Não sei.
-Como assim não sabe?
-Quando a pessoa não tem conhecimento.
-Mas você escreveu...
-Isso eu sei.
-Você gosta do meu nome?
-Qual? Carolina?
-Não (...). Tereza.
-Não, Tereza não.
-Você é ridículo! Irritante! Toda poesia tem uma Carolina e nenhuma sou eu.
-Quem falou?
-Você.
-Eu?
-Disse que não sabia, mesma coisa.
-Você acha?
-Se fosse você diria.
-Mas eu não sei.
-Então por que não bota Tereza,Carla ou Maria?
-Porque gosto de Carolina.
-De mim?
(...)

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Depois do Outono


Estou coberta até o nariz, minhas pernas me pedem que busque mais uma calça,mas não sei onde você jogou. Fico lembrando como teus punhos ardiam nesta cama. Quem sabe perca a vontade de procurar. Amava-me demais, meu amor

Não consigo pensar em outra coisa. O castigo de amar. Não sei porque caço. Vejo que encontro,mas não controlo esta minha maldita paixão. Interminável.Crueldade. Acho que entendo porque estou deitada. Sinto-me nua. Lendo tuas poesias, estou vestida somente pelas vírgulas.

A neve frita os meus pensamentos. Deixo que o tempo passe lentamente na janela, quem sabe cure o próprio mal de existir. Nunca duvidei do poder das horas, elas estão melhores acompanhadas que eu. Minutos e segundos. Ponteiros caiam! Eu olho para eles,enquanto não me vêem. Relógio presenteado por ti, os indicadores de tempo estão apontando tua direção.

Esperando o inverno passar,meu bem? Venha logo! Não pense,não escreva, pare de chorar, guarde tuas flores. Apenas aja! Pois quando o tempo esquentar, posso levantar, parar de ouvir esse maldito tique-taque, e ver que tudo era como antes.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Ana Terra

I

Todo álcool que arranhava minhas veias
O pranto que corria do teu nome
A poesia que consumia o poeta
O amante que sofre
O amor que foi
Minha musa era dor
Sangrava-me palavras
Escrevia sem mão

O desespero do sem
A falta da sua voz
Aquelas canções que me cantava
Minhas letras foram ao mundo
Vendi para meu vício
Quero mais uma dose
Sem gelo

Consumo as pessoas
Uso-as como fuga
Sou mais minhas personagens
Nem singular, nem plural
Sou João, Maria, Carlos, Raquel

II

De noite, foi tarde
Pôr do sol
Lua que chegava

Fim do amante teu
Amores meus
Não
Não
Não!

Desculpa, amor
Pela minha ausência, sem adeus
E volta
Para mim
Porque sempre te amei,
Serei tua, só tua
Não
Não...

Sei que anda guarda minhas fotos,
Aquele dia está nas suas coisas
Quem mais além de mim?
Não?

III

Teu sorriso,amor
Eu te amo
Eu te amo
Admito quantas vezes quiser

Só sei te escolher,
Pertenço ao seu cheiro
Meus olhos são teus
E minha boca é só de tua

Deixa aqui teus seios em minhas mãos
Enquanto acosto a cabeça em teu ventre
Põe a mão em meu cabelo, e não se esqueça de acariciar
Assim, até meu sono será Ana.

Diga a Deus
Que não atrapalhe
Cansei dele em tudo
Agora,
Sou só eu e a Terra.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Sem Fim

O chão caminha sob os meus pés
A comida engole a minha garganta
O uísque fica bêbado de mim
E eu não consigo parar de olhar você

Presidente Vargas corre sob os cariocas
A fome cospe os famintos
A Lapa vomita os malandros
E eu não tenho medo te ver

Quem é essa?
O sol faz rotação
A lua é o astro rei
Tudo negro

Grande enigma
O desejo do seu corpo
Que não conheço
Inspira a loucura do mundo
Confuso, atordoado (...)
Perturbador
Obscuro
Gosto

Corpo que seu olho não deixa beijar
Boca que seu olho não deixa tocar
Preto
Olho negro
Lindo
Quero
Quero mistério
Goze
Goza
Deixa que o amor deleite sobre nós
Deságüe sobre o prazer o seu olhar

sexta-feira, 18 de março de 2011

Desculpa pelo adeus que não foi


Nasci, vivi. Calma, ainda não morri
Mas já estou morto na vida,
Ainda não na poesia,
Por isso a escrevi daqui a uns anos

Sabe que amei,sofri,empobreci,
Só não que viajei até Madri
Lá, casei,tive filhos
Um doutor e outra atriz

Alguns sonhos; realizei vários
Muitos amores; apaixonei-me pouco,
Vida feliz; chorei um bocado
Senti tua falta quando parti
Chorou mais do que quando faleci

Nada disse,
Saí.
Porta entreaberta
Carta no armário:

Mãe,
Obrigado.
Desculpa,
Estou atrasado.
Meu avião sai às dez.
Juro que te escrevo logo